SEJA UM DOS NOSSOS AMIGOS, NESTA CORRENTE DO BEM.

Mostrando postagens com marcador Psicografia de Raul Seixas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psicografia de Raul Seixas. Mostrar todas as postagens

terça-feira

PSICOGRAFIA DO ESPÍRITO ZILIO( RAUL SEIXAS ), UM ROQUEIRO NO ALEM.











"NAS ILUSÕES DA VIDA ENCONTREI A MORTE, NA REALIDADE DA MORTE DESCOBRI A VIDA". (Raul Seixas) "O mundo só é uma droga, para quem se droga no mundo" .1º Capítulo. -----Na sepultura----- A minha morte foi como um pesadelo; senti um profundo torpor e perdi os sentidos. Depois de algum tempo, recobrei a consciência; parecia estar bem, até que percebi que algumas pessoas estavam colocando-me dentro de um caixão. Tentei reagiram mas não consegui mexer-me; gritei dizendo estar vivo, mas ninguém me ouviu. Quando fecharam o caixão, dei murros na tampa tentando abri- la, mas meu esforço era em vão; perdi os sentidos. Não sei quanto tempo fiquei desacordado; quando dei por mim novamente, senti que me colocaram em um veiculo e viajamos por algum tempo.
 Os solavancos do carro enjoaram-me; comecei a passar mal; não tinha espaço para vomitar e nem para me mexer; sentia-me sufocado. Quando o carro parou escutei gritarem o meu nome seguido de muito pranto. Pelo movimento, percebi que ali deveria ser o local do velório. Tiraram o caixão do carro e, quando menos eu esperava, abriram a tampa. Senti um grande alívio! Tente levantar-me , mas não consegui. Muita gente debruçou sobre mim para chorar. O que eu poderia fazer ? Já havia tentado de tudo para sair dali. A única explicação que eu encontrava para aquele fato , é que eu estava realmente morto e o meu espírito preso a meu corpo e já começava a cheirar mal. Diante da minha impotência, tive que aceitar aquela situação. Observei cada pessoa que passavam por mim. Olhavam-me piedosamente e lamentavam pela minha morte. Quase todos que passaram por aquele desfile de lágrimas e de hipocrisia diziam a mesma coisa: - Que pena. Tão jovem! Outros cochichavam: - Foram as drogas que os destruíram.
-Depois de alguém tempo, fecharam o caixão e puseram-me novamente em um carro; Fiquei tonto, comecei a passar mal; por alguns momentos, eu ia morrer de verdade. Mas acabei apenas desmaiando. Quando voltei a mim, não sei quanto tempo depois, escutei algumas pessoas conversando. Pelo que elas falavam, deduzi que estavam levando-me para o cemitério; quase me desesperei. Senti um medo terrível, principalmente quando percebi que estavam sepultando-me.
Não cheguei a entrar em pânico, mas rezei todas as orações que eu havia aprendido e isso, de certa forma, acalmou. Lembrei-me da minha vida desde quando era criança. Revi todo meu passado, era como se eu estivesse assistindo à projeção. A partir dai, naquela solidão profunda, comecei a julgar minhas atitudes. Fui um combatente! Lutei contra um sistema que eu não aceitava e que me causava revolta. Entretanto, acabei vítima de mim mesmo e não do sistema que eu condenava. Sem perceber, havia optado pela fuga, a mesma fuga que me havia fascinado em outros momentos da minha vida. O sofrimento por que eu estava passando era característico dos suicidas. Era assim mesmo que eu me sentia, um suicida. Levado pela revolta, percorri o caminho das drogas até encontrar a morte. Embora o mundo me aborrecesse, eu deveria Ter continuado no bom combate. Na verdade, fui um equivocado, apontei tudo que eu achava que estava errado, mas não soube indicar o certo.
Minhas intenções eram boas, mas minhas atitudes eram contraditórias. Em vez de atacar e ferir o sistema, eu deveria Ter contribuído para transformá-lo. Não corri atrás do ouro dos tolos, mas, na cama de meu apartamento, fiquei com a boca aberta esperando a morte chegar. Ela chegou antecipada! Veio convidada pela minha insensatez. Em vez de repousar em seus braços, ela agora fazia arder minha consciência. No auge da minha angustia, eu questionava: -Quanto tempo terei que ficar nesta situação ? Ficarei aqui até o dia do trem passar ? Será que vou ? ou será que fico ? Eu consolava a mim mesmo:
 -Não importa! Se vou, livro-me deste mundo equivocado. Se fico, tento outra vez. Diante das dúvidas que povoaram minha mente, eu afirmava: -Tenho certeza de que a vida é eterna! Este é apenas um momento como outro qualquer. Vai passar , como tudo passou. Essas auto-afirmações confortavam-me. Constantemente, eu buscava encontrar as vantagens que aquela situação me proporcionava. Então, eu dizia: -Pelo menos aqui não ouço os noticiários infames! Não posso beber nem me drogar. O ESPÍRITO DE RAUL SEIXAS DÁ UM DEPOIMENTO EMOCIONANTE SOBRE SUA VIDA DESREGRADA E SEU DESENCARNE VÍTIMADO PELA DROGA.